A Revelação de Uma Chama Gêmea...

Por TilaC • agosto 20, 2024

A vida tem maneiras estranhas de nos surpreender. Ela nos conduz por caminhos inesperados, onde, por vezes, o destino se disfarça nas formas mais improváveis. A nossa história começou assim, na simplicidade fria de uma tela de computador, entre palavras digitadas, conversas cheias de risos e confidências compartilhadas como se o tempo não tivesse importância. Foram anos de amizade sincera, construída sobre o alicerce de uma cumplicidade que, de tão profunda, parecia já ter atravessado eras, vidas passadas.... talvez..!!!
Eu acreditava que conhecia cada pedaço de ti, cada sombra do teu ser. Na minha mente, a tua imagem era clara, nítida, familiar. Eu sabia das tuas dores, dos teus sonhos, das pequenas alegrias que te iluminavam o rosto mesmo que nunca o tivesse visto. Tu eras para mim uma amiga, alguém que, do outro lado dessa telinha, compreendia o meu coração como ninguém mais.
Mas a vida...
ahhhhhh, a vida tinha guardado um segredo. Um segredo que só se revelou a mim muitoooooo depois, quando o tempo, em seu jeito misterioso, decidiu que era o momento certo. Foi então que percebi o quão pouco sabia, e como todo aquele conhecimento era apenas a superfície de um oceano profundo, inexplorado. A revelação de quem tu realmente eras foi como um raio que rasga o céu em plena escuridão. De repente, as peças se encaixaram, e tudo fez sentido: a nossa ligação inexplicável, a forma como sempre nos entendemos sem esforço, como se as nossas almas falassem uma língua secreta, só nossa.
Quem diria, não é? Que por trás da imagem que eu tinha na minha mente, havia um rapazinho, alguém que, por tanto tempo, eu não soube reconhecer. E mais do que isso: que esse rapazinho era, afinal, a minha chama gêmea, o reflexo mais puro e verdadeiro de quem sou, perdido e reencontrado numa vida feita de acasos e desencontros!!!
Agora, ao olhar para trás, sinto uma mistura de dor e beleza. É triste pensar em quanto tempo passamos afastados, sem percebermos o que realmente éramos um para o outro. Tantos momentos em que a nossa proximidade podia ter sido plena, mas não foi. Mas, ao mesmo tempo, há uma poesia nisso tudo, uma melodia melancólica que ecoa no coração, lembrando-me que, apesar dos desvios, os caminhos certos sempre acabam por se cruzar.
Tu entraste na minha vida pela tela de um computador, mas agora estás gravado na minha alma, para além do tempo, para além do espaço. E mesmo que o destino tenha nos separado por tanto tempo, há um consolo na certeza de que, no fundo, nunca estivemos realmente distantes. Estivemos apenas aguardando o momento certo para nos reconhecermos de novo, de verdade, tal como sempre fomos, tal como sempre seremos: partes inseparáveis de uma história que vai muito além dessa passagem por este planeta...
E agora, ao contemplar o que fomos e o que nos tornamos, sinto um peso doce, como uma saudade que nasce de algo que nunca tivemos, mas que esteve sempre ali, latente, à espera de ser descoberto. É como se o tempo nos tivesse pregado uma peça, escondendo a verdade diante dos nossos olhos, deixando-nos vagar por anos num labirinto de equívocos e mal-entendidos, até que, por fim, encontramos o caminho certo, mas já marcados pelas cicatrizes da espera, de outras situaçoes e pelo eco de uma ausência que só agora compreendemos.
O que sinto é uma nostalgia do que poderia ter sido. De todas as conversas que tivemos, tão cheias de leveza e riso, e que agora vejo tingidas de uma profundidade que não conseguimos perceber. Cada palavra trocada, cada segredo compartilhado, todos os momentos que vivemos através daquela tela,tudo isso era na verdade, o prelúdio de algo maior, uma sinfonia inacabada que só agora começamos a entender!!!
É estranho pensar nisso. Como a pessoa que eu imaginava conhecer tão bem, que estava ao meu lado nos momentos de dor e nas pequenas vitórias, era na verdade alguém que eu ainda não conhecia completamente. Havia um véu entre nós, um véu que o destino, em sua sabedoria cruel, só levantou quando estáva pronta para enxergar. Mas, ao mesmo tempo, há uma tristeza suave em tudo isso, uma tristeza que não dói de verdade, mas que pesa no peito, como uma lembrança antiga que não se pode apagar.
Imagino agora como teria sido se tivéssemos sabido desde o início, se tivéssemos percebido, logo nas primeiras trocas de mensagens, que éramos mais do que amigos, mais do que confidentes de uma vida agitada. Se tivéssemos reconhecido um ao outro como chamas gêmeas desde o primeiro momento, talvez a nossa história tivesse sido diferente. Talvez não tivéssemos perdido tanto tempo, talvez as distâncias que nos separaram não tivessem parecido tão grandes, ou tão insuperáveis....
Mas talvez, quem sabe, essa mesma distância tenha sido necessária e bem lá no fundo eu sei que foi!!! Talvez precisássemos nos perder para podermos nos reencontrar, para que, ao nos olharmos agora, pudéssemos ver não apenas o reflexo do que éramos, mas o reflexo de tudo que poderíamos ter sido e, finalmente, tudo o que somos e como crescemos. E talvez, nessa saudade do que não foi, exista uma beleza que só nós podemos entender, um lamento silencioso que carrega em si uma verdade profunda e inevitável: a de que a vida é feita de encontros e desencontros, de momentos perdidos e reencontrados, de caminhos que se entrelaçam e se separam, para, no fim, nos trazer de volta ao ponto de partida....
E... assim seguimos, carregando essa nostalgia no peito, como uma lembrança de um tempo que não vivemos, mas que de alguma forma sempre esteve conosco. Um tempo em que éramos apenas sombras na tela, desconhecidos que se conheciam melhor do que ninguém, almas que se procuravam mesmo sem saber, esperando o momento certo para se encontrarem de verdade, para se reconhecerem na vastidão do universo, e perceberem que, apesar de tudo, sempre estiveram destinadas uma à outra.
E, agora que nos encontramos, não há como voltar atrás. Aquele rapazinho, escondido por trás de uma amizade que parecia tão simples, revelou-se, enfim, como a parte de mim que eu não sabia que estava faltando. E mesmo que essa descoberta traga consigo um toque de tristeza, por tudo que deixamos passar, há também um conforto suave, uma paz que nasce da ceteza de que, por mais tardio que tenha sido o nosso reencontro, ele era inevitável, como o pôr do sol ao final de cada dia!!!


Seguimos, então, de mãos dadas com essa nostalgia, com essa tristeza que, de tão bela, se torna quase doce. E caminhamos juntos, sabendo que, apesar do tempo perdido , o que temos agora é o que sempre foi nosso, o que sempre nos pertenceu, desde o início dos tempos. E, por isso, vale cada passo, cada segundo, cada batida do coração, cada lagrima, cada encontro e desencontro. Porque, no fim, encontramos o que sempre procuramos, ainda que sem saber: um ao outro....


e


continuo


te


esperando


😘✨


Aurora


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