MULA??? Talvez sim, talvez NÃO!!!

By TilaC - agosto 27, 2024





Naqueles dias dourados da minha infancia, eu era a menina dos olhos do meu pai. Aquele brilho de doçura e obediencia que ele tanto prezava, tão tranquila e comportada, parecia prometer uma filha que nunca causaria preocupação... 😇😅🤣


Mas, como as mares que mudam, a minha adolescência trouxe ventos inesperados e, com eles, uma personalidade que, para seu espanto, refletia a dele — um reflexo destemido e irreverente que adorava testar os limites como quem desafia o horzonte....
Cada regra que ele impunha, eu via como um desafio. Não era por maldade, mas por uma necessidade quase visceral de provar que o mundo tinha mais a oferecer do que os muros que ele tão cuidadosamente construia ao meu redor. Era como se, ao quebrar as suas regras, eu estivesse dizendo: "Paiiiii, o mundo é  BEM maior do que você me faz crer, e eu quero explorá-lo, mesmo que precise tropeçar para isso...."
E tropecei. Ohhhhh, como tropecei.Mas cada queda vinha com uma lição, e cada lição, com um sorriso maroto. Depois do sermão habitual, e do castigo que se seguia ( muitas vezes menos severo do que ele gostava de fazer parecer) , e eu, já moça feita, me aninhava no seu colo. Era a minha forma de pedir desculpa, de acalmar as tempestades que eu mesma havia provocado. E ali, no seu abraço, sentia o seu coração ainda a bater forte, mas com uma ternura que ele nunca conseguia esconder.
"Esta miúda é doce como o coice de uma MULAAAA!!!" — ele exclamava, fingindo uma zanga que eu sabia ser de faz de conta. As suas palavras eram rudes, sim, mas sempre acompanhadas por um olhar cúmplice, um meio sorriso que denunciava o quanto ele gostava da minha ousadia. E eu, por minha vez, respondia com uma gargalhada, daquelas que ilminam o rosto e aquecem o coração, porque no fundo eu sabia: o meu pai não podia estar mais orgulhoso de mim....!!!!
Eu era a sua menina rebelde, a sua filha que, tal como ele, não se contentava em seguir o caminho mais fácil. Eu era a filha que ele, no fundo, sempre desejou, mesmo que por vezes não o admitisse em voz alta. Era como se, a cada rebeldia, eu estivesse apenas a afirmar a nossa semelhança, a provar que o seu espírito indomável vivia também em mim....
Hoje, ao recordar esses momentos, sinto uma ternura e nostalgia profunda. Há um sabor doce-amargo em cada lembrança, um misto de saudade e gratidão. Porque, apesar de todas as vezes que me chamou de "mula teimosa" e de "cabeça-dura",sabiamos que, no fundo, cada discussão, cada coice, era apenas mais uma forma de nos amarmos à nossa maneira única e inconfundível....


...e, é essa memória, essa frase que me acompanha até hoje, que me faz sorrir sempre que me vejo no espelho. Porque vejo um pouco do meu pai em mim, aquele homem que me ensinou, sem querer, que ser rebelde também é uma forma de amor. E que, por mais que os coices da vida sejam duros, eles podem ser doces, desde que venham com um toque de humor e um abraço apertado no final...!!! 😇


Aurora ✨


Imagem via pinterest


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