A lua cheia, nesta noite mágica, dançou até o beiral da minha janela com a leveza de um sussurro do vento. Seu brilho prateado, tão suave quanto um véu de seda, estendeu-se pelas sombras,transformando o mundo num reino de sonhos. Eu... sem resistir ao seu convite silencioso, abandonei os limites da realidade e me juntei a sua dança celestial. A lua, sorridente, era uma velha amiga que viera me buscar para uma aventura entre as estrelas...
Cada raio que ela derramava era um segredo, e em cada rastro de luz, historias antigas flutuavam.Nós nos entendamos sem palavras, rindo em murmurios que o mundo não escutava. Era uma conversa de almas antigas, um encontro entre mundos o meu, finito e humano, e o dela, eterno e distante. As estrelas, cumplices, piscavam, e o céu, de um azul profundo e sem fim, se curvava em reverência...!!!
Ela contava sobre as marés que já vira, sobre os sonhos que embalara no seu luar. E eu, enfeitiçada, retribuia com risos e perguntas sussurradas. Às vezes, ela descia até as montanhas, moldando as sombras para que dançassem ao nosso redor, como guardiãs de uma historia esquecida. Outras vezes, subia para o alto, conduzindo os planetas como quem move peças num tabuleiro cósmico.
O tempo... nesta noite, é um sopro. As horas escorrem como areia entre os dedos, enquanto o universo parece respirar devagar, seguindo o ritmo de nossa conversa. Nada mais importa além deste instante, onde eu e a lua éramos uma só, cúmplices de um jogo encantado!!!
E quando o horizonte começou a tingir-se de rosa, ela se despediu com um ultimo brilho carinhoso. Prometeu voltar, outra noite, para novas historias e risos. Enquanto a aurora banhava a terra em ouro, fiquei ali, sozinha, mas com o coração pleno, sabendo que em algum lugar, entre os véus do tempo e do espaço, minha fiel companheira sempre estaria à espreita, pronta para brincar de novo.
Com o primeiro fio de luz dourada da manhã esgueirando-se pelo horizonte, a lua cheia fez um gesto teatral de despedida, quase como uma atriz saindo de cena. "Até breve, minha amiga terrena", parecia dizer, inclinando-se levemente como se fizesse uma reverência. Eu... claro, devolvi o gesto com uma exagerada vênia, já que, depois de uma noite inteira de risos e cavaqueiras, haviamos criado essa familiaridade peculiar uma espécie de cumplicidade cósmica entre uma simples mortal e a dama do céu.
Ainda rindo das piadas cósmicas que havíamos trocado, sim, porque a lua também tem um senso de humor curioso, meio sarcástico até, recordei um momento particularmente engraçado. Ela, entre um feixe de luz e outro, me contou sobre as noites em que se enchia de vaidade, orgulhosa de sua beleza, apenas para ser encoberta por uma nuvem caprichosa, como se fosse vitima de uma pegadinha do universo. "E lá fico eu", dizia, "parecendo que esqueci o guarda-chuva numa tempestade, com metade da minha luz ofuscada, enquanto as estrelas se divertem à minha custa."
Eu gargalhei, imaginando aquela cena, uma lua grandiosa e altiva sendo humilhada por uma nuvem atrevida...!!!
E, nesse jogo de palavras e imagens, percebi que até os corpos celestes tinham seus dias de altos e baixos, suas trapalhadas, seus momentos de vulnerabilidade. Ali... ela deixava de ser só a lua, aquela entidade intocável e distante, e se tornava uma companheira de aventuras, com seus próprios "desastres" celestiais...
Ela também fez piada com as marés. "Você acha que é fácil????", perguntou, piscando de forma cúmplice."Aqui em cima, mal faço um movimento e pronto, lá embaixo, tudo vira caos!!!! O mar se levanta, as pessoas se perguntam se é um presságio, e eu só estou tentando ajustar meu brilho para uma selfie!!!" Era impossível não rir dessa lua tão vaidosa e travessa, que jogava com o mundo sem que ninguém percebesse suas pequenas rebeldias.
E... o mais interessante era que, por trás das piadas, ela carregava um mistério irresistível. Enquanto nós, aqui embaixo, nos distraiamos com a correria do dia a dia, a lua, lá no alto, seguia sua coreografia silenciosa, observando tudo, colecionando histórias. "Ahhhhhh, os segredos que já guardei...", disse-me ela em tom conspiratório, "se as estrelas falassem, minha cara, o céu viraria uma verdadeira fofoca astronômica!!!!"
Eu não resisti e perguntei, provocando: "E então, alguma revelação bombástica que possa compartilhar?" Ela riu baixinho, aquela risda de quem sabe mais do que deveria, e respondeu: "Querida, se eu começasse a falar, o universo se enrolaria em seu próprio caos... Melhor deixar as estrelas acreditarem que são as mais brilhantes por aqui..."
Amanhecendo, a lua começou a se apagar aos poucos, mas antes de desaparecer completamente, lançou-me um ultimo olhar cheio de promessas, como quem diz: "Isso é só o começo, minha amiga. As noites são longas, e o céu tem muito mais segredos do que você imagina..." E, num piscar de olhos, sumiu!!!
Fiquei ali, rindo sozinha, refletindo sobre a noite surreal que havia vivido. Quem diria que a lua, tão imponente no céu, era uma alma cheia de travessuras e gostusuras, com um humor afiadoe ligeiramente sarcastico e com uma sabedoria cheia de sutilezas???? Que privilégio era compartilhar o beiral da minha janela com ela, mesmo que por algumas horas, conversando como velhas amigas, brincando com o brilho do universo. Agora, mais do que nunca, sabia que, a cada noite de lua cheia, não estava sozinha....
A lua sempre estaria ali, pronta para mais uma rodada de histórias e risos!!!
Aurora
TilaC
Imagem de minha autoria com I

1 Comments
Lua cheia...
ResponderEliminar"Lobisomem".
Há quem acredite.
"Alma".
Há quem acredite.
"Anjos".
Há quem acredite.
"Deus".
Há quem acredite.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT