Aurora nasceu com um brilho no olhar que fazia jus ao seu nome. Desde a sua infância, a jovem sentia que carregava algo mágico dentro de si, uma lembrança adormecida de tempos distantes. Embora vivesse numa vila tranquila, cercada pelas águas mansas do Nilo, ela sonhava com cenários que nunca vira: templos dourados sob o sol escaldante, jardins suspensos e rostos que lhe eram estranhamente familiares. Entre esses rostos, havia um que se destacava: o de um homem de olhos profundos, cujo nome sempre ecoava em seus sonhos — Elias...!!!
Aurora nunca compreendeu a profundidade de seus sonhos até que um dia, numa feira local, o destino revelou sua verdadeira natureza. Ela cruzou olhares com Elias. Ele não era apenas um homem comum; havia algo nele que parecia deslocado no tempo, como se sua alma carregasse a poeira de milênios. Eles se reconheceram instantaneamente, sem que nenhuma palavra fosse necessária. Era como se o universo, cansado de separá-los em vidas passadas, houvesse conspirado para uni-los novamente.
Elias era um guerreiro, forte e destemido, que servia ao exército do faraó. No entanto, ao lado de Aurora, ele era apenas um homem apaixonado. Eles se encontravam sob a sombra das tamareiras, junto ao Nilo, e conversavam sobre o que havia além das estrelas, como se fossem os segredos de mundos que ambos já conheciam. Aurora sentia que o tempo parava quando estava com ele. Sua voz tinha o tom das canções antigas, e seu toque era como o calor do deserto abrasador, mas terno...!!!
Aurora e Elias se casaram em segredo, num antigo templo dedicado a Hathor, a deusa do amor e da fertilidade. Foi uma noite magica, onde as estrelas pareciam dançar no céu em celebração. Eles fizeram votos que iam além desta vida, jurando se encontrar em cada reencarnação,até que suas almas se fundissem numa só eternamente.
Mas o destino, sempre caprichoso, colocou uma provação em seu caminho. Uma guerra estourou nas fronteiras do Egito, e Elias foi convocado para liderar suas tropas. Ele prometeu voltar para Aurora, com o coração repleto de esperança. Ela, por sua vez, ficou à espera, contando os dias e noites, rezando aos deuses para que ele voltasse em segurança.
O tempo passou, e Aurora descobriu que carregava em seu ventre a prova do amor que compartilhavam: um filho. A alegria dessa descoberta foi como um raio de sol em meio as trevas da incerteza. Mas a esperança não seria suficiente para afastar a tragédia. Um dia, um mensageiro chegou trazendo a notícia que partiu o coração de Aurora: Elias havia caído em batalha.
Aurora não chorou iediatamente. Era como se o mundo ao seu redor tivesse perdido a cor, como se o vento,o Nilo e até mesmo as estrelas tivessem silenciado em luto. Ela se recolheu em sua casa, onde passava horas segurando o medalhão que Elias lhe dera na noite de seu casamento — um pequeno amuleto com o simbolo da eternidade.
Os meses se passaram, e Aurora deu a luz um menino. Ela o chamou de Amén, que significa "o oculto", pois acreditava que Elias continuava presente, escondido nas brisas que sopravam e nos raios de sol que aqueciam a terra. Amén cresceu forte, com os olhos de seu pai e a sabedoria de sua mãe. Ele trazia consigo uma energia que parecia transcender sua idade, como se herdasse não apenas o sangue de Elias, mas também sua poderosa alma e coração...
Aurora... por sua vez, nunca perdeu a conexão com Elias. As vezes, durante o crepusculo, ela sentia sua presença. Era como se ele estivesse ao seu lado, sussurrando promessas de reencontro. Em uma dessas noites, enquanto caminhava na beira do Nilo, Aurora encontrou um ancião que parecia saido de um sonho. Ele tinha olhos que brilhavam como estrelas e falava com uma voz cheia de mistério.
— Você é especial, Aurora — disse ele.
— Sua alma e a de Elias estão ligadas desde o principio dos tempos. Mesmo que os deuses os separem,vcês sempre se encontrarão. Você carrega a centelha da eternidade dentro de si.
Com essas palavras, o ancião desapareceu, como se fosse parte do vento. Aurora entendeu que sua historia de amor não terminava ali. Elias poderia estar ausente neste mundo, mas em algum lugar, em outra dimensão, ele a esperava. E ela, com sua esperança infinita, viveria para amá-lo em cada vida, até que as estrelas deixassem de brilhar....!!!
O tempo passou, mas Aurora nunca envelheceu em espirito. Sua história foi contada de geração em geração, como um conto de amor e resiliência. E... dizem, se você olhar para o céu em uma noite clara, poderá ver duas estrelas que sempre dançam juntas, brilhando mais forte do que todas as outras.
Elas são Aurora e Elias, unidos pela eternidade....
Escrito a 1/1/2025
Este conto foi baseado num sonho que tive, o qual foi tão real mas tãooooo real que fiquei sem entender se estava meia a dormir ou MEIA ACORDADA!!!
Aurora - TilaC
Imagem de minha autoria com IA

2 Comments
Otília...
ResponderEliminarSe ainda não foi ao Egipto, vá.
Sem desprimor para os outros, foi o país que mais gostei de visitar.
Estive lá em Setembro de 1981.
Os sonhos são mistérios.
Tão falsos, por não serem reais.
Tão reais, por não serem falsos.
A verdade é que existem. Eu tenho uns cadernos (até agora, dois) onde descrevo os meus sonhos mais interessantes.
Existem várias teorias sobre os sonhos.
O cérebro continua por desvendar na sua totalidade.
Um dia virá em que será possível gravar os sonhos e fazer cópias.
Imagine uma pessoa com um cérebro conectável com computadores.
Talvez já exista...
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Boa noite por ai...
EliminarGratidão por continuar a ler as "loucuras" que escrevo!!! 😅
Sorri perante a sua frase " Tão falsos, por não serem reais", hoje estou mesmo nessa... Onde começa a minha realidade e termina a minha loucura???
E acredito que simmmm, irá acontecer IA que leem os nossos sonhos...
Cumprimentos sinceros
TilaC