A vida tece seus caminhos com fios de espinho e sombras....
Não bastassem as pedras que nascem sob teus pés — agudas, famintas —, há mãos invisíveis que semeiam labirintos onde deveria haver horizonte. São vozes que sussurram mapas falsos ao vento, dedos que entrelaçam raizes para te fazer tropeçar na própria luz...!!!
Mas um dia, quando o chão se fechar em gargantas estreitas e o ar pesado recusar-se a carregar teu nome, lembrarás: há um céu escondido em cada ferida. As cicatrizes que carregas nas costas,aquelas que doeram como fogo lento, hão de desdobrar-se em asas. Não as asas diafanas dos contos de fadas, mas membranas resistentes, tingidas de poeira e luar, feitas de tudo que não te quebrou.
Os que tentaram calar teus passos esqueceram-se de que até as sementes, quando sufocadas na terra, aprendem a romper o solo e buscar o alto. Tu serás tempestade e pássaro. Os ventos contrários, que antes apagavam tuas pegadas, tornar-se-ão escadas. E enquanto os que te queriam imovel ainda arranham a terra com unhas curtas, tu dançarás nas nuvens, corpo feito de raízes e vento, coração batendo no ritmo das constelações.
Afinal... a vida não é fácil. Mas quem disse que precisas ficar preso a ela????
Haverá noites em que o céu se fechará em pétalas de granizo, e as asas, pesadas de lembranças, lembrarão o sabor do chão. Mas até a escuridão é uma mentira passageira, as estrelas, mesmo invisíveis, continuam costurando a abóboda com fios de prata. Tu aprenderás a navegar pela névoa como os antigos navegadores, usando o pulsar das veias como bússola e o canto das cicatrizes como estrela polar....
Alguns dirão que voas para fugir, mas não saberão que, nas alturas, enfrentas criaturas que a terra jamais concebeu: dragões de névoa que cospem dúvidas, serpentes aladas que sibilam "não conseguirás". E... mesmo assim, teu voo se alimentará desses monstros, transformando cada golpe de suas garras em penhas que sustentam teu caminho. O medo, outrora uma jaula, será o vento que te empurrará além dos abismos.
Chegará um instante em que as nuvens se partirão ao meio, revelando um sol que não é só luz, mas um portal. Ali, compreenderás que as pedras que tentaram enterrar-te eram sementes de montanhas, e que escalá-las sempre foi a forma secreta de alcançar as estrelas. Os que insistem em habitar a lama te chamarão de louco, de desalmado, de perdido. Sorrirás, pois a loucura que condenam é o mesmo fogo que derreteu os grilhões de seus próprios céus.
E... quando a terra, lá embaixo, insistir em seu jogo de labirintos, tu já terás aprendido a linguagem do infinito. Desenharás rotas com o bater das asas, escreverás poemas com o vapor das nuvens e, em silêncio, responderás a toda a crueldade com um segredo simples:
"O chão é apenas um teto virado ao contrário para quem nunca ousou cair para cima..."
Assim seguirás, entrelaçando tempestades e auroras, até que um dia — sem aviso — as próprias cicatrizes comecem a cair como folhas outonais. E onde houveram feridas, nascerão constelaçoes de luz, marcando não o fim, mas o principio de um novo mapa. O mapa daqueles que, como tu, descobriram que o céu nunca foi um limite...
...mas sim o convite!!!
TilaC

1 Comments
Bons sonhos...
ResponderEliminar"Aurora"...
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT