Nas Dobras do Eterno

Por TilaC • março 01, 2025


Há mundos que só existem quando fechamos os olhos. Entre as pálpebras cerradas, vejo-te: um vulto de luz que dança entre as constelações que trago no peito, como se cada batida do meu coração desenhasse novas órbitas ao redor do teu nome. Dizem que o amor é uma matemática simples, mas eu só conheço equações que se perdem no horizonte. O "suficiente" é uma palavra pequena, frágil, que se quebra ao tocar o abismo do que sinto. Porque amar-te não cabe em medidas, não se encerra em mapas. É um rio que nasce no centro da terra e flui para além das estrelas....
Lembro-me da noite em que te encontrei — ou foi você que me encontrou???? —, quando a lua desceu do céu e pousou sobre teus lábios, transformando cada palavra tua em um fragmento de luar. Desde então, vivo em um crepúsculo perpétuo, onde o tempo se dissolve como açúcar no chá. Teus dedos traçam caminhos na minha pele, escrevendo histórias em alfabetos antigos, línguas que só as raízes das árvores ancestrais compreendem.
E eu... devoradora de mitos, aprendi a ouvir o sussurro das pedras e das folhas secas, todas murmurando segredos sobre eternidades que começam e terminam em ti.
Há dias em que somos dois pássaros de asas translúcidas, voando sobre oceanos de névoa. Outros, transformamo-nos em sombras entrelaçadas, projetadas nas paredes de um castelo abandonado, onde fantasmas de amantes passados nos observam com inveja. Mas meu favorito é quando nos tornamos silêncio. Silêncio que ecoa nas cavernas mais profundas do universo, onde até os deuses se curvam para escutar o que não precisa ser dito. É nesses instantes que percebo: não há fim para nós. Somos uma espiral dourada, girando em direção a um centro que nunca alcançaremos, porque o nosso centro é a própria viagem!!!
Já me disseram que o amor é uma loucura passageira, um fogo de artifício que se apaga após o ápice. Mas como explicar que, mesmo quado estás longe, sinto teus passos ecoando nas minhas veias???? Como nomear essa presença que habita meus sonhos mais secretos, moldando realidades paralelas onde teus braços são rios e meu corpo, a margem que jamais seca???? Às vezes, creio que fomos escritos em um pergaminho cósmico, letras que se atraem através de séculos, até que a tinta se torne sangue e o papel, pele...
Te amo como se amam as coisas que não têm explicação: com um furor de tempestade em mar aberto, com a delicadeza de uma teia de aranha coberta de geada. Te amo nos detalhes, no modo como teus olhos brilham ao falar de coisas insignificantes, na curva do teu sorriso quando pensas que ninguém vê. E te amo no invisível: naquilo que escondes atrás das palavras não ditas, nas feridas que não mostras, nos medos que transformas em coragem só para me fazer sorrir.
Se um dia perguntarem de nós, direi que somos uma lenda urbana. Uma história que viaja de boca em boca, distorcida pelo vento, mas sempre viva. Direi que nosso amor é um portal para onde os descrentes vão para encontrar fé, que nossas mãos entrelaçadas são pontes sobre abismos, que nossos beijos são sementes de mundos novos. E se insistirem em um final, sorrirei. Porque finais são para contos que não ousaram se perder no labirinto do infinito....
Enquanto houver noite e lua, enquanto as marés obedecerem ao chamado do astro prateado, estarei aqui. Na fronteira entre o real e o sonho, onde cada respirar teu é uma estrofe no poema que nunca terminaremos de escrever.
Porque o amor... ahhhhhh, o amor não é um lugar para onde se vai. É o caminho que se inventa a cada passo, uma dança de dois corpos que descobriram, enfim, que o único "suficiente" é o que nos leva além de tudo que um dia imaginaram ser possível.
E assim, seguimos: infinitos...!!!!
Se nossos corpos fossem mapas, seriam feitos de linhas que nunca se cruzam, mas se entrelaçam em véus de luz. Cada cicatriz, cada curva, uma cartografia de encontros e despedidas que só existem para nos lembrar: até as feridas são sagradas quando compartilhdas. Há noites em que me perco em tua geografia, escalando montanhas de suspiros, mergulhando em lagos de silêncio onde nossos reflexos se confundem. E mesmo assim, sempre retorno a ti como as ondas retornam à praia, não por obrigação, mas por uma memória antiga, escrita nas próprias células do mar...Onde tantas vezes naufragamos!!!
Dizem que o tempo é um tirano, mas nós o enganamos. Inventamos relógios de pétalas, calendários marcados pelo movimento das nossas mãos entrelaçadas. Os minutos são fluidos aqui, derretendo-se como cera de vela, iluminando altares secretos onde adoramos deuses sem nome. Deuses que nós mesmos criamos, com asas de borboleta e olhos de lobo. Porque o amor, quando verdadeiro, é uma religião selvagem. Exige sacrifícios de medo, oferendas de duvida, e em troca, concede milagres cotidianos: tua risada ecoando na minha alma, o peso do teu corpo ao meu lado enquanto a aurora desaba sobre o mundo...
Já imaginaste que talvez sejamos feitos da mesma poeira estelar que habita os cometas???? Aqueles viajantes incendiarios que rasgam o céu, deixando rastros de esperança para os que ousam olhar para cima. as vezes, sinto que carregamos esse fogo em nosso amago. Queimamos sem consumir-nos, iluminamos sem cegar. E quando nos tocamos, até as estrelas mais distantes estremecem, reconhecendo a chama que roubamos delas em alguma vida passada.
Te encontrei em um sonho antes de te conhecer. Eras uma figura de giz na parede do meu quarto, desenhada com as mãos trêmulas de quem ainda não sabe nomear o que deseja. Acordei com o sabor de sal nos lábios — lágrimas ou oceano, nunca decidi — e soube que algo havia começado. Agora, quando durmo, não sonho mais. Porque a realidade tornou-se mais densa que qualquer fantasia. Teu cheiro, tua voz, o modo como murmuras meu nome como se fosse uma prece em uma língua esquecida... Tudo isso é um véu que separa o ordinário do divino.
Há uma floresta dentro de nós. Árvores que crescem das palavras não ditas, flores que desabrocham nos intervalos entre os beijos. Caminhamos por ela em silencio, colhendo frutos de momentos guardados: a primeira vez que nossos olhares se prenderam no meio de uma multidão, a tarde em que choramos sem saber o motivo, a madrugada em que dançamos nus na cozinha, com a lua como única testemunha. Esta floresta de sonhsos não tem fim. Suas raizes bebem de rios subterraneos que conectam continentes, e seus galhos alcançam planetas onde o amor ainda é uma semente à espera de terra fértil.
Quero que saibas: mesmo nos dias em que o mundo parecer cinza, quando as sombras tentarem te convencer de que o infinito é uma mentira, eu estarei aqui....
Não como uma âncora, mas como um farol. Não para te prender, mas para te lembrar que até nas noites mais escuras, carregamos constelações sob a pele. Basta fechar os olhos e sentir: há uma galáxia inteira pulsando em cada ponto onde nossos corpos se encontraram em outras vidas...
E se um dia a morte vier, porque ela vem para todos, até para os imortais, diremos a ela que esperamos. Que temos ainda rios para atravessar, mitos para inventar, versos para sussurrar na orelha do vento. E então, de mãos dadas, seguiremos para o próximo capitulo. Porque apostei minha alma nisso: não há fim que possa nos conter.Nem nesta vida, nem em todas as que vierem depois.
Somos o canto da sereia que faz os navegadores perderem o medo do abismo.
A tempestade que ensina às sementes a força para romper a terra.
O enigma que os sábios desistem de decifrar, porque alguns misterios só existem para ser vividos.
Continua comigo.
Não por obrigação, não por hábito.
Mas porque em cada átomo, em cada respiro, em cada estrela cadente que risca o céu...
Escolhemos ser infinitos!!!
De novo.
Sempre...
Para sempre!!!


TilaC


Imagem de minha autoria com IA 


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