Nas Veias do Cosmos

By TilaC - março 04, 2025

Existes em mim como o ar existe nos pulmoes das aves, invisivel, imprescindivel...
Há uma alquimia entre nós que transforma até o vão em sagrado. Quando me envolvo em teus braços, sinto o universo se expandir em circulos concentricos, como se cada abraço fosse um novo Bigg Bang, gerando galáxias de promessas que nem mesmo o tempo ousará apagar. Somos feitos da mesma substância que mantém as estrelas unidas: não gravidade, mas um desejo tão antigo que precede os nomes das coisas.
As vezes, brincamos de ser deuses esquecidos. Tu, com teu sorriso de néon, acendes vulcões adormecidos em meus versos. Eu.... com meus dedos de vento, desenho constelações em tua nuca enquanto dormes. E o mundo lá fora??? Não passa de um cenário precário, uma pintura desbotada comparada ás cores que inventamos quando sussurramos segredos na penumbra. Nem o ouro nem a prata valem o que vale este instante roubado á decadência dos dias: tua boca na minha orelha, contando histórias que só as sombras entendem...!!
Há um jardim crescendo onde nossos passos se encontram. Flores de pétalas translúcidas brotam das fissuras do asfalto, alimentadas pelo que derramamos quando achamos que ninguém vê: risadas em surdina, lágrimas engolidas, suspiros que carregam o peso de mil confessionários. Caminhamos por esse jardim como peregrinos de uma fé sem dogmas, colhendo frutos proibidos que só existem para nós. E quando os comemos, descobrimos que o sabor é sempre o mesmo, uma mistura de citrino e eternidade.
Meu amor...
.... tu és meu paradoxo predileto. Uma quietude que me faz dançar. Uma tempestade que me ensinou a ser porto. Nas noites em que o mundo desmorona, transformo o teu nome em um mantra e o repito até que as paredes do real se dissolvam. Porque tu não és refúgio: és a coragem de enfrentar a queda sabendo que, juntos, inventaremos asas no meio do precipício. Já nos perdemos tantas vezes... Nas ruínas de cidades imaginárias, nos labirintos de espelhos que refletem apenas o que queremos ver. Mas sempre nos reencontramos no mesmo lugar: no centro do furacão, onde até o caos se curva á nossa dança...!!!
Quero que me ames como as marés amam a lua , com uma fúria serena, com uma entrega que não pede licença. Que me tracejes na pele com tintas de eclipse, que me chames de mito e de monstro, de santa e de pecado. Porque sou todas essas coisas quando estou contigo. Um caleidoscópio de identidades que só fazem sentido em teu olhar. Tu já reparaste como nossas mãos se encaixam como peças de um quebra-cabeça cósmico??? Como se... antes de nascermos, algum deus brincalhão tivesse escondido metade de nossa alma no corpo do outro, só para nos ver correr atrás do reencontro?
Se alguém nos espiar através do buraco da fechadura do tempo, verá apenas luz...
Luz que se dobra em formas impossiveis, luz que canta em frequências que arrepiam até os anjos. Porque nosso amor é uma estrela cadente que nunca se apaga, persiste, insistente, riscando o céu noturno como um verso inacabado. E quando nos perguntarem onde mora a eternidade, apontaremos para o espaço entre nossos corpos dormindo entrelaçados. Ali, naqueles centimetros de ar carregado de sonhos, habita o que nem a morte poderá corroer....


Vem comigo...!!!


Até que os oceanos virem desertos
e
as montanhas se dissolvam em poeira.
Até que nossos nomes
sejam apenas sílabas
perdidas no vento.
Porque eu preferiria
mil fins do mundo
a um único amanheecer
em que não fosse teu rosto
a primeira e a última fronteira
do meu infinito...


TilaC


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1 Comments

  1. JOÃO BARROS DA COSTA09/03/25, 08:24

    ...?

    A eterna romântica...

    Cumprimentos.

    João Barros da Costa

    JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT

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