O vento soprava suave, mas o cheiro no ar já não era o doce perfume das flores ou o orvalho da manhã. Era o cheiro de algo mais profundo, algo que apertava o coração e trazia consigo um medo silencioso. A floresta chorava em silêncio. Suas folhas, outrora verdes e vibrantes, agora se tingiam de cinza, como se o próprio céu tivesse derramado suas lágrimas de dor. O som crepitante das chamas, que rasgavam o solo, ecoava pelos campos, e o calor queimava até a alma daqueles que observavam a destruição iminente....
Na imensidão da Amazônia, a maior e mais antiga das florestas, onde os espíritos das árvores antigas sussurravam histórias milenares, a terra ardia. O pulmão do mundo, aquele que respirava vida para o planeta, estava sufocado, engolido por uma fumaça escura que se estendia como um cobertor fúnebre. As aves que outrora enfeitavam os céus com suas cores vibrantes agora voavam desorientadas, buscando refúgio em um horizonte que se tornava cada vez mais inalcançável. Os rios, antes caudalosos e cheios de vida, minguavam lentamente, envenenados por um ciclo de ganância e destruição.
E... nas serras de Portugal, um cenário não tão diferente. As chamas lambiam o solo, devorando tudo em seu caminho, deixando um rastro de devastação. As árvores, testemunhas silenciosas de tantas gerações, sucumbiam ao fogo voraz, transformando-se em cinzas que o vento levava para longe, como se quisesse apagar da memória da terra o que ali um dia existiu. Mas não se pode apagar a dor, não se pode apagar o grito mudo de uma natureza que clama por socorro....!!!
A ganancia humana sempre foi insaciável. Acreditamos, em nossa arrogancia, que o mundo existia para ser moldado por nossas mãos, para ser subjugado por nossas vontades. Mas esquecemos, em nossa cegueira, que a terra não pertence a nós. Somos apenas uma brve passagem, uma fagulha que se apaga diante da imensidão do tempo. Quando cortamos a última árvore, capturamos o último peixe e envenenamos o ultimo rio, então nos daremos conta, talvez tarde demais, de que dinheiro não mata a fome, de que riquezas materiais não apaziguam a sede de uma terra que clama por vida.
Nos ultimos dias da floresta, quando o mundo estiver silenciado pelo som das serras e das máquinas, talvez o homem olhe para o céu em busca de respostas. E verá que o céu, outrora azul e vasto, agora se cobre de nuvens escuras, como se a própria natureza estivesse de luto. Os rios já não mais cantarão suas melodias tranquilas, os animais que corriam livres entre as árvores desaparecerão, e o ar será denso, dificil de respirar. A única coisa que restará será o silêncio.
Mas há algo mais....
Algo que só pode ser visto com os olhos do coração. Dizem que, nas profundezas da Amazônia, existem árvores que nunca morrerão. Suas raizes estão tão profundas na terra que alcançam o próprio centro do planeta, e delas brota uma seiva dourada, cheia de luz, que tem o poder de curar. Porém, essa luz só será vista por aqueles que abandonarem suas ambições egoístas e se unirem à terra, reconhecendo-a como mãe e protetora. Talvez um dia, um grupo de almas puras consiga encontrar essa árvore sagrada, e com sua seiva devolverá vida ao mundo. Mas até lá, caminhamos num fio tênue entre a vida e a morte, entre a redenção e a destruição.
Na penumbra do futuro, uma criança senta-se aos pés de uma árvore solitária. Ela não entende porque o mundo ao seu redor está desmoronando, mas sente a dor na terra. Com suas mãos pequenas, ela acaricia o tronco da árvore, como se quisesse confortá-la. E a árvore, que resistiu ao fogo e à destruição, lhe responde em silêncio. As folhas balançam suavemente, e, por um breve momento, a criança sente a conexão profunda entre sua alma e o espírito da terra....!!!
Ela se levanta, com os olhos bilhando de esperança. Naquele pequeno gesto, há um vislumbre de salvação, uma promessa de que, enquanto houver uma unica árvore de pé, enquanto um unico rio continuar a fluir, ainda há tempo. Tempo para a humanidade lembrar-se de onde veio, de onde suas raizes estão. Porque no final, quando o ultimo centavo cair no chão de uma terra estéril e sem vida, só então perceberemos que não podemos comer o que criamos. Não se pode comer dinheiro, nem casas de ouro, nem fortunas construídas sobre as ruínas da natureza....
...e assim, no silêncio da noite, enquanto a última fagulha de uma floresta em chamas se apaga no horizonte, resta apenas uma pergunta ecoando no coração da humanidade: será que ainda há tempo para aprender? Para amar e respeitar o que nos foi dado? Ou será que apenas quando tudo estiver perdido, entenderemos o valor do que já não podemos recuperar???? 😢
Aurora
Imagem de minha autoria com IA

9 Comments
ResponderEliminarAs mentalidades demoram muito tempo a mudar.
Tem sido assim todos os anos, lá como cá...
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Que venham tempos melhores, assim esperamos!!!
EliminarGratidão 🙏
Otília...
EliminarEnvie o texto para: 1. GRUPO PARLAMENTAR DO PARTIDO P.A.N. - PESSOAS - ANIMAIS - NATUREZA
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Lisboa
PORTUGAL
2. Presidente
AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE
Lisboa
PORTUGAL
3. Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa
Presidente da República
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Lisboa
PORTUGAL
4. Luís Montenegro
Primeiro-Ministro
GABINETE DO PRIMEIRO MINISTRO
Lisboa
PORTUGAL
5. Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República
PALÁCIO DO PLANALTO
Brasília
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Mais informações na Internet.
Se fizer uma cópia em papel, uma carta manuscrita, colocar num envelope tamanho A-4,
colar uns selos apropriados (saber se foi feita alguma série alusiva à floresta, aos animais
silvestres e... aos incêndios) e enviar em correio registado com aviso de recepção, pode
ser que receba uma carta em papel (uma raridade, hoje em dia).
Faça fotocópias a cores, para si.
Eu sei que é mais prático e mais rápido enviar através do correio electrónico, mas pode não
chegar ao destinatário ou à destinatária... Para além de ser muito impessoal e gerar, caso
seja dada uma resposta, um envio análogo. Eu prefiro escrever à mão. Ou à máquina.
Por outro lado, o que é que tem mais interesse: uma carta recebida via correio electrónico
ou uma carta assinada, por exemplo, por um Presidente da República, por um Primeiro-Ministro,
por um/a Deputado/a ou por um Presidente de um organismo do Estado?
Mais informações na Internet.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Otília...
ResponderEliminarComo não consegui publicar o texto mais elaborado, vou tentar publicar um resumo.
Envie o seu texto para o Presidente do Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva), para o Presidente de Portugal (Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa), para o Primeiro-Ministro (Luís Montenegro), para o P.A.N. (Inês Sousa Real / Grupo Parlamentar - Assembleia da República) e para o Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente / Instituto Português de Protecção da Floresta. Em relação ao último caso é melhor confirmar a designação. Deve-se pôr o nome completo da /do
destinatária / o. Nesta situação é melhor enviar o texto com uma carta manuscrita, em correio registado com aviso de recepção. Se decidir enviar, como eu escrevi, poderá receber mais do que
uma simples carta. Uma carta assinada por uma das pessoas referidas é um documento. Um
documento histórico... Não gostava de ter uma carta do Marcelo para si? Ou do Montenegro?
Ou do Lula? Ou da Inês? Mesmo que não tenha simpatia por essas pessoas, ou não goste delas,
são figuras históricas...
P.S.: Escolha uns selos apropriados. Envelope A-4. Fotocópias a cores (de tudo). Arquive.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Já escrevi (dois). Não consegui publicar.
ResponderEliminarCumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Otília...
ResponderEliminarEnvie cópias do seu texto:
1. Ao Luiz Inácio Lula da Silva (Presidente do Brasil).
2. Ao Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa (Presidente da República).
3. Ao Luís Montenegro (Primeiro-Ministro).
4. À Inês Sousa Real (Deputada do P.A.N.).
5. Ao Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente.
6. Ao Presidente do Instituto Nacional da Conservação da Natureza e da Floresta.
Nota - Confirmar as designações de 5. e de 6.. Ver os nomes dos Presidentes.
Escolher selos apropriados.
Fotocopiar a cores.
Arquive em micas transparentes de 100 microns da marca NOTE (CONTINENTE).
Arquive em arquivadores com caixa da marca ANCOR (CONTINENTE).
Enviar em correio registado com aviso de recepção.
Aguardar a devolução dos avisos de recepção.
Aguardar as respostas.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Otília...
ResponderEliminarConsegui publicar uma súmula dos três comentários que não consegui publicar.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Otília...
ResponderEliminarTanto que se perdeu.
Portugal precisa de outras políticos...
De outra legislação.
Está tudo errado.
Os governos P.S. e P.S.D. são os grandes culpados.
É gente que não presta...
Só pensam neles (m/f).
Alugar aviões e helicópteros à hora? Ao dia?
Porque razão Portugal não os fabrica?
Ou os compra.
Se não houverem incêndios, as empresas proprietárias dos aviões não lucram...
No "mundo rural", várias pessoas afirmaram ter ouvido pequenos aviões e visto
mini-páraquedas, com chamas, a caírem, à noite. Vi na televisão, há anos...
Mas..., para quê tanto trabalho? Acabaram os passeios, pela floresta, de dia,
com o isqueiro ou a caixa de fósforos no bolso? E as velas, esgotaram?
As penas de prisão deviam ser mais elevadas. E de prisão efectiva e cumpridas
na totalidade, sem saídas precárias e sem liberdade condicional. As penas são
baixas e abusa-se das saídas precárias e da concessão da liberdade condicional.
E depois, há a corrupção... Em Portugal é endémica e está generalizada...
Desde 25 de Abril de 1974..., quantas pessoas foram condenadas por corrupção
em Portugal? E políticos "profissionais"?... São eles (e elas) que aprovam toda
a legislação, não é?... Enquanto o Procurador-Geral da República for escolhido
pelo Primeiro-Ministro em conluio com o Presidente da República, as acusações
a políticos vão ser escassas, sobretudo se forem do mesmo partido político, clube
de futebol, associação, zona do País ou antigos colegas do infantário, da escola primária,
da escola preparatória, da escola secundária ou da faculdade ou coisa parecida...
Outra coisa que tem de acabar é a não responsabilização de procuradores da República
(Ministério Público) (Nota - Não gosto de lhes chamar magistrados.) e de juízes, por
decisões erradas conducentes ao arquivamento de queixas-crime ou à não pronúncia
para ida a julgamento, prejudicando a parte queixosa e favorecendo a parte criminosa.
Os juízes que condenam pessoas inocentes também deviam ser responsabilizados.
Não são. Procuradores e juízes são inimputáveis no que concerne às suas decisões...
Assim sendo, fazem o que querem sem medo de sofrerem penalizações... Para além
disso, ainda têm a prerrogativa da "livre convicção do juíz". E, claro, protegem-se uns
aos outros... O resultado desta "justiça" é o seguinte: vítimas sem serem, de alguma
forma, indemnizadas e ressarcidas, criminosos em liberdade, inocentes nas cadeias.
Estamos em Portugal, não é?...
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Otília...
ResponderEliminarE o que dizer dos incêndios de Pedrógão Grande de 2017?
E a "Estrada da Morte", para onde as viaturas foram conduzidas?...
As ajudas prometidas pelo GOVERNO ANTÓNIO COSTA não chegaram
a todas as vítimas e familiares das vítimas falecidas.
Ainda hoje não se sabe, exactamente, quantas pessoas morreram...
Os números oficiais referem pouco mais de setenta.
A parte rural, sobretudo no centro de Portugal, tem estrangeiros que
não devem ter autorização de residência (basta terem usado uma viatura
para entrar em Portugal e não se terem registado). Para o Estado é como
se não existissem. Alguns vivem em comunidades com várias pessoas.
Portugal estaria melhor fora da UNIÃO EUROPEIA...
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT