Eu escolho te amar em silêncio, pois no silêncio habita o misterio das coisas que não precisam ser ditas. Palavras são frágeis demais, são prismas que refletem apenas fragmentos daquilo que sinto. No silêncio... porém, posso moldar teu nome como um sussurro eterno em meu peito, posso escutá-lo ressoar nas cavernas do meu espirito, ecoando em melodias que apenas eu conheço. Amar-te assim é um pacto intimo,um segredo selado entre o meu coração e o universo. Porque no silêncio, a rejeição não encontra espaço. No silencio, sou livre para te inventar em formas que a realidade não ousa permitir....
Eu escolho te amar na solidão, pois na solidão não existem olhos curiosos nem vozes que questionem. Lá, és inteiramente meu. Não há rivais, não há muros, não há relógios a medir o tempo que posso passar contigo. Na solidão, crio um reino onde tua ausência se transforma em presença, onde cada sombra ganha contornos do teu sorriso,onde cada estrela que brilha no céu da noite é uma promessa tua. Tu és o governante desse territorio secreto, o sol que aquece um mundo que apenas eu habito. E mesmo sabendo que é uma ilusão, há uma verdade cravada nessa escolha: quando estou contigo em minha solidão, sou mais eu, sou mais viva, sou mais capaz de sonhar!!!
Eu escolho te adorar a distância, porque a distância é um véu que me protege da dor de perder-te. De longe, posso observar-te como se fosses uma estrela, inalcançável, mas brilhante. Cada movimento teu é uma dança que admiro em segredo, cada sorriso teu é um amanhecer que ilumina os confins do meu ser. Na distancia, sou espectadora e criadora, inventando historias onde nossos caminhos se cruzam em silencios carregados de significado. A dor da proximidade, essa dor que é afiada como lamina, não me encontra na distancia. A distância é o meu escudo,e mesmo assim, ela não me separa de ti, porque te carrego aqui dentro, onde nenhuma barreira pode chegar.
Eu escolho te beijar no vento, pois o vento é o mensageiro das coisas leves, das coisas que tocam sem ferir. O vento pode levar meus lábios até ti sem que percebas, pode envolver-te num abraço invisivel, sussurrar-te segredos que jamais ousaria dizer em voz alta. O vento é um cumplice, um poeta errante que entende os anseios de quem ama sem ser notado. Quando beijo o vento, é como se te beijasse, como se tua pele fosse feita do ar que respiro, como se meu desejo pudesse viajar por ele até encontrar-te. E... o vento, sendo mais suave do que eu, é digno desse gesto. Ele carrega minha ternura e a deposita sobre ti como um perfume que não se desvanece....
Eu escolho te abraçar em meus sonhos, porque nos sonhos somos eternos, somos inteiros, somos livres das amarras do tempo e do espaço. Nos sonhos, não há despedidas, não há adeus, não há finais. Abraço-te e sinto que o mundo desaparece, que só existe o calor do teu corpo junto ao meu, o som da tua respiração, o ritmo do teu coração batendo em unissono com o meu. Nos sonhos, somos aquilo que a realidade nunca nos permitiu ser. Nos sonhos, somos infinitos. Teu rosto nunca perde o brilho, teus olhos nunca perdem a intensidade, teu sorriso nunca se apaga. E quando desperto, carrego o eco desse abraço como um amuleto, algo que me dá forças para continuar, para esperar, para amar-te, mesmo que de formas impossíveis.
Ahhhhh, mas se o silêncio, a solidão, a distância, o vento e os sonhos são os caminhos que escolho para amar-te, é porque a realidade é cruel demais para suportar esse amor. Talvez seja porque te amar assim, a margem do tangivel, é uma forma de preservar-te. No mundo real, o amor é feito de encontros e desencontros, de palavras ditas, das não ditas mas tambem das mal-entendidas, de promessas quebradas. Mas aqui, onde escolho te amar, és intocável, és puro, és aquilo que o meu coração sempre buscou. És uma constelação que nunca se apaga, uma musica que nunca deixa de tocar, uma chama que arde sem nunca se consumir!!!
E... assim, sigo. Amando-te em silêncio, na solidão, a distância, no vento, nos sonhos. Porque talvez, só talvez, amar-te de longe seja a forma mais verdadeira de te amar. Amar-te sem exigir nada, sem pedir nada, sem esperar nada em troca. Amar-te simplesmente porque existes, porque és, porque somos e de alguma forma inexplicável, tornaste-te parte de mim....
...e mesmo que nunca o saibas,mesmo que nunca to diga, mesmo que nunca o sintas, mesmo que meu amor seja uma estrela que brilha sozinha no céu escuro, ele continuará. Pois amar-te é a minha escolha!!!
E...
nesta escolha, há um mundo inteiro que vive e respira apenas para ti e por ti...!!!
Mesmo
e
apesar
de
todo
este
OCEANO IMENSO
de
encontros
e
desencontros
que
acabou
por
nos
separar
Aurora

3 Comments
Otília...
ResponderEliminarEscreve muito bem.
Publique em livro os textos que tem publicado na Internet.
Com as ilustrações.
Faça uma selecção e envie para as editoras.
Não fique à espera que alguma editora a convide.
Neste mundo cibernético são milhões as pessoas que escrevem.
Se quiser ser lida em papel, talvez não seja má ideia contactar um/a agente.
Deverá ser alguém com bons contactos no mundo editorial.
Eu fazia assim:
1. Escrevia para a ASSOCIAÇÃO DE EDITORES E LIVREIROS e pedia para me enviarem
a lista das editoras com os contactos.
2. Contactava as editoras. Primeiro por telefone, para solicitar uma audiência.
3. Enviava alguns textos. Em português de Portugal.
Se tiver alguns conhecimentos pessoais no meio editorial melhor.
Pode sempre fazer uma edição de autor...
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Boaaa noite Sr. João 😊
EliminarHummmm, por enquanto basta-me este cantinho... Quem sabe no futuro!!!
Mas por outro lado penso, pobres letras presas em papel 🤣
Melhor deixá-las correr leves e soltas neste mundo virtual, que cheguem a quem tiver que chegar!!!
Este meu cantinho é mais tipo uma terapia, sabe?
Grata por o apoio e seja sempre bem vindo 🙏
Otília...
EliminarUma coisa não impede a outra.
Pode continuar a publicar no seu blogue "O Sonho de Aurora" e publicar em papel.
Não gostava de ter livros publicados?
Algumas das pessoas que escrevem em "blogs.sapo.pt" têm livros publicados.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT