Em meio às vielas de uma infância modesta, onde as paredes humildes da casa dos meus pais guardavam sonhos simples e o cheiro constante da sopa que durava mais de três ou quatro dias, cresci aprendendo que a riqueza verdadeira não se mede pela posse de bens, mas pela abundância de valores que nenhum ouro ou prata poderia jamais adquirir....
Naquela casa, a cada colherada daquela sopa que nos alimentava tanto o corpo quanto a alma, eu descobri a essência do que significa ter o que realmente importa na vida. Meus pais, de mãos calejadas e coração grandioso, não tinham títulos de estudo, diplomas ou conquistas que a sociedade costuma aplaudir, mas possuíam algo infinitamente mais precioso: a sabedoria de um viver integro e o amor que transbordava, mesmo em meio às limitações!!!!
Meu pai... um homem cuja bondade poderia facilmente ser confundida com fraqueza por quem não o conhecia de verdade, era um pilar de retidão. Seu carinho envolvia cada ato, cada plavra, mas também havia nele uma firmeza que não permitia desvios. Aiiiiiiiii de mim se me afastasse do caminho que ele, com tanto cuidado, me ensinava a trilhar!!!!Não era o medo de uma repreensão que me mantinha nos trilhos, mas o profundo respeito por aquele que, com o olhar , me transmitia a certeza de que o certo e o justo valem mais que qualquer tesouro material....
Não tive a oportunidade de frequentar universidades ou acumular títulos, mas sei que, ao longo da vida, o valor daquilo que carrego em meu peito supera qualquer certificado emoldurado na parede. Pois, de que vale um diploma, se não há em sua essência a sabedoria de discernir o bem do mal, o justo do injusto???? Que proveito há em possuir todas as honrarias, se o coração carece da bondade que vi no meu pai, do amor que brota como um rio, sem pedir nada em troca, da dignidade que ele carregava no olhar e nos gestos?????
Os valores que me foram legados não se aprendem em livros. São a herança silenciosa de uma vida vivida com honestidade, com respeito ao próximo e, sobretudo, com a consciência de que o verdadeiro valor de uma pessoa não reside no que ela tem, mas no que ela É. Não há moeda que compre a integridade de caráter, a coragem de ser justo mesmo quando o mundo parece se esquecer do que é certo. Não há riqueza maior que saber, no fundo da alma, que fizemos o bem porque era o que devia ser feito, e não por interesse ou recompensa....
Hoje, quando olho para trás, vejo que as carências materiais que me acompanharam na infância foram, na verdade, a base de um tesouro que carrego comigo até hoje. Pois, na falta de luxo, aprendi o valor do trabalho honesto; na ausência de fartura, descobri a importância de dividir o pouco que se tem; na simplicidade do dia a dia, encontrei a beleza da verdadeira felicidade, aquela que não se compra, não se vende, mas se cultiva nos pequenos gestos, no carinho que se dá sem esperar retorno, no respeito que se nutre por todos, independentemente de quem sejam ou do que possuam....
Não, não tenho um curso superior, nem um diploma para exibir, mas tenho algo infinitamente mais valioso: os valores que meu pai me ensinou, que minha mãe reforçou com sua doçura e que a vida, com suas duras lições, me ajudou a solidificar. Esses valores são a bussola que me guia, o alicerce sobre o qual construi a pessoa que sou hoje. E, por isso, sou rica .... não de bens materiais, mas de uma riqueza que brilha em cada ato de bondade, em cada escolha feita com o coração e com a alma.
Que todos os títulos do mundo fiquem para aqueles que os buscam; eu fico com os valores que me foram dados, pois sei que, no fim das contas, são eles que definem a verdadeira grandeza de uma vida. Uma grandeza que, como a sopa que nos alimentava por tantos dias, sacia não só o corpo, mas também o espirito, mantendo viva a chama daquilo que realmente importa: o amor, o respeito, a honestidade e a integridade. Porque, no fim, é isso que somos: o resultado dos valores que decidimos carregar e compartilhar ao longo do caminho....
Em meio aquela infância humilde, onde a casa dos meus pais era simples e as posses, poucas, aprendi que a verdadeira riqueza não se mede pelo ouro nas mãos, mas pela pureza que carregamos no coração. Na mesa modesta onde nos reuniamos, havia sempre uma panela de sopa que durava alguns dias, alimentando-nos com sua simplicidade e nos lembrando que, mesmo quando pouco havia, ainda assim tinhamos muito.Muito mais que alguns...
A sopa era mais do que um alimento; era a essência do sustento cotidiano, um caldo que nutria não apenas o corpo, mas também a alma. Cada colherada trazia consigo o sabor da generosidade, a lição de que a vida, por mais austera que fosse, sempre tinha algo a oferecer, desde que soubéssemos apreciar as pequenas bênçãos!!!
Masssss, era depois da sopa que a verdadeira magia acontecia.Quando o prato principal chegava à mesa, não havia carne nobre, nem iguarias finas. O banquete que se seguia não era feito de comida, mas de algo muito mais precioso, algo que o dinheiro jamais poderia comprar. Naquele segundo prato, servíamos um verdadeiro festim de honra e respeito, temperado com o mais puro amor e recheado com o carinho que transbordava em cada gesto, em cada palavra....
Era um banquete que não alimentava apenas o corpo, mas também o espirito, nutrindo nossas almas com valores que, de tão preciosos, reluziam mais que qualquer joia. Sentados aquela mesa, aprendiamos que a honra é a base sobre a qual se constrói uma vida digna, e o respeito, a ponte que nos liga uns aos outros, fazendo com que, mesmo na adversidade, pudéssemos caminhar juntos, de cabeça erguida e coração sereno.
Meu pai, com sua presença firme e olhar afetuoso, era o anfitrião desse banquete de valores. Ele nos servia porções generosas de integridade, exigindo de nós que jamais nos afastássemos do caminho reto, mesmo quando esse caminho parecia árduo e solitário.E minha mãe, com sua personalidade tão complexa mas cheia de doçura e paciência (nem sempreeee) , adoçava cada pedaço de nossa vida com gestos de carinho que faziam qualquer dificuldade parecer menor....!!!
Naquela minha casa, o amor não era um luxo, mas um ingrediente essencial, presente em cada prato que se colocava à mesa. Não precisávamos de riqueza material, porque eramos abençoados com a riqueza mais verdadeira: a certeza de que estávamos crescendo em um lar onde os valores eram servidos como o alimento mais nutritivo, onde a honra e o respeito eram os pilares que sustentavam tudo o que éramos.
Não tive um curso superior, nem diplomas para pendurar nas paredes, mas tenho comigo um tesouro que nenhum título pode igualar: os valores que me foram servidos dia após dia, como um banquete preparado com o maior esmero. Hoje, ao olhar para trás, vejo que a sopa que nos alimentava era apenas o prelúdio de algo muito maior, algo que me alimenta até hoje. Porque, naquela mesa humilde, aprendi que o verdadeiro banquete da vida é feito de honra, respeito, amor e carinho.... Volto novamente a frisar!!!
E esse banquete, meu pai e minha mãe me ensinaram a preparar e a servir, não com as mãos, mas com o coração. Eles me mostraram que, no final das contas, é isso que realmente nos sustenta, é isso que nos torna verdadeiramente ricos: a capacidade de viver com integridade, de amar sem reservas, de respeitar e honrar a vida e aqueles que fazem parte dela....
....hoje, carrego comigo esse banquete invisível, mas infinitamente poderoso, onde quer que eu vá. E sei que, por mais simples que seja a mesa à qual me sento, desde que nela estejam servidos a honra, o respeito, o amor e o carinho, sempre haverá um verdadeiro banquete à espera, um festim que enche não só o estômago, mas também o coração. Porque a verdadeira grandeza da vida não está no que possuímos, mas naquilo que escolhemos servir....!!!!
És servida/o ???? 😁
Aurora ✨

1 Comments
Um Mundo Melhor...
ResponderEliminarÉ o título de uma pintura a guache que fiz e que ofereci.
Ela não sabe que tenho outra (sussurei, para ela não ouvir - acha que só ela tem).
Bem... Para dizer a verdade, verdadinha, o Mundo e o Espaço dela é verde.
Já o meu Mundo e o meu Espaço são azuis...
Pinturas feitas em 2007.
O Tempo passa...
É servida?
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT