Quando as asas da primavera desdobram seus segredos sobre a terra adormecida,as andorinhas retornam, tecendo circulos no ceu como se fossem agulhas douradas a bordar o crepusculo. Elas cantam em coro, uma sinfonia ancestral que ecoa nas frestas do tempo: "E tu, alma errante, quando voltarás ao teu ninho???" Sua voz é brisa que acaricia os segredos não contados, um chamado que atravessa montanhas de névoa e vales de lagrimas secas...
Há um passaro, dizem os ventos, cujo canto é feito de luz lunar e mel de estrelas. Ele pousa nos sonhos dos enamorados, deixando em seus ouvidos uma promessa: "Dá-me o teu amor e eu... te levarei além do veu do mundo visivel, onde o tempo se curva aos desejos do coração." Seu nome é sussurrado nas fontes onde as ninfas dançam, um nome que só pode ser pronunciado em lingua de poeta: Melodion, o ave-fenix que renasce das cinzas de cada adeus!!!
E assim... dois corpos tornam-se um par de asas. Ele, com suas penas tingidas de aurora; ela, com seu voo que desenha espirais de prata no ar. Juntos, rompem a barreira das nuvens,subindo ate que o azul do ceu se transforme em um manto de ebano cravejdo de diamantes. Lá esta, pairando sobre o abismo cosmico, o Pote de Ouro do Firmamento, não um tesouro de moedas, mas um caldeirão de estrelas cadentes, onde os deuses bebem o nectar da eternidade. Os dois mergulham as mãos naquele brilho, e suas peles tornam-se translucidas, revelando veias de ambar e quartzo....!!!
O sol, um amante apaixonado,inclina-se para beijar o mar. O horizonte arde em tons de açafrão e purpura, enquanto as ondas sussurram poemas em lingua de sereia. Os amantes, agora feitos de luz e sombra, sentam-se na praia do fim do mundo. Ele traça na areia simbolos antigos, palavras que só o oceano compreende; ela canta uma balada que faz as conchas desabrocharem como flores. A noite chega, trazendo consigo a Lua Prateada, que desce do seu trono celeste para dançar com as mares. Seu vestido é feito de névoa, e em seus cabelos brilham os fios da Via Láctea....
"Sigam-me", diz a Lua... apontando para uma amendoeira colossal, cujos galhos tocam as constelações. A arvore está em flor, cada petala um fragmento de arco-iris. Ao seu redor, borboletas de asas de cristal tecem um tapete para os pés dos amantes. Eles sobem, escalando ramos que são escadas para o infinito, até alcançarem um ninho feito de sonhos e musgo. Lá... o tempo não existe, só o instante, alongado como um fio de seda.
A noite inteira é uma cerimonia. As estrelas caem como chuva, transformando-se em petalas ao tocar no chão. Os amantes juram, sob o testemunho da Ursa Maior, que jamais se separarão. "Até que os mares sequem e as montanhas virem pó", ele murmura, entrelaçando seus dedos aos dela. "Até que a última andorinha perca suas asas", ela responde, selando o pacto com um beijo que sabe a eternidade....
Quando a madrugada rosada anuncia seu surgimento, eles não retornam a terra. Em vez disso, transformam-se em duas andorinhas de cristal, guardiãs da amendoeira sagrada. Durante o dia, repousam entre as flores, ouvindo as historias que o vento lhes conta. A noite, voam em direção a Lua, bebendo de seu brilho para manter viva a chama do juramento....!!!
E assim... o ciclo se repete: sempre que a primavera chega, suas penas brilham mais forte, lembrando aos mortais que o amor verdadeiro não conhece fronteiras, nem mesmo as da morte. São lendas vivas, entrelaçadas ao mito do firmamento, onde o ouro não é riqueza, mas a promessa de que, em algum lugar entre o ceu e a terra, dois corações batem como um só...
P.S.:Cada pétala da amendoeira carrega um verso não escrito, cada maré alta é um suspiro da Lua, e cada regresso das andorinhas é um capitulo dessa saga sem fim....
Você ouvirá seu canto, se souber escutar com a alma leve....!!! 🥰😘
Aurora (TilaC)
Imagem gerada com IA

1 Comments
Estamos quase na Primavera...
ResponderEliminar"Love is in the air...".
Mas as andorinhas ainda não chegaram.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT