Havia uma vez uma ser feita de luz e sombras, uma filha das estrelas que tecia seus passos sobre a terra úmida de segredos. Seu nome era Cassiopeia, mas os ventos a chamavam de Cassy, um diminutivo doce como o tilintar de sinos distantes. Ela carregava nas costas asas diáfanas, tecidas de luar e saudades antigas. Cassy, como todos os que ousam caminhar com o coração aberto, conhecia o ritual sagrado de cair. Suas quedas não eram derrotas, mas convites ao universo para que a ensinasse a dançar mesmo com os joelhos sangrando....
A primeia vez que tombou, foi por cansaço. Seus pés, acostumados a desenhar constelações no chão, tropeçaram em uma raiz disfarçada de destino. Cassy rolou colina abaixo, arranhando as asas em pedras afiadas, enquanto o céu girava em tons de púrpura e melancolia. No fundo do vale, encontrou um riacho que murmurava histórias de tempos imemoriais. A água, prateada e gentil, envolveu seus ferimentos, e ela percebeu que o cansaço era apenas um chamado para se reconciliar com o próprio ritmo. Levantou-se com o auxílio da aurora, que lhe sussurrou: "Quedar-se é permitir que a terra te abrace; erguer-se é devolver o carinho..."
A segunda queda chegou como um engano. Cassy seguira uma melodia que flutuava entre os salgueiros, pensando ser uma canção de acolhida. Era, na verdade, um serafim disfarçado de trovoada, que a levou a um labirinto de espelhos quebrados. Lá, cortou os pés em cacos de ilusões, e suas asas dobraram-se como pétalas sob geada. Mas no silêncio daquele lugar sem eco, ela ouviu o bater de seu próprio coração — persistente, teimoso, cheio de vida. Reergueu-se com as palmas das mãos, e cada gota de sangue que escorria era uma verdade que brotava da mentira. O serafim, então, transformou-se em um cervo branco e lhe ofereceu um amuleto de âmbar: "A lucidez é uma lanterna que só acende quando escurece a ilusão."
A terceira queda foi a mais traiçoeira. Alguém que ela chamara de irmã, cujos abraços haviam sido refúgio, empurrou-a de um penhasco alto. Cassy caiu por eras em um instante, enquanto o vento lhe mostrava retratos de todas as despedidas que já haviam dilacerado almas. No fundo, onde as sombras respiravam como criaturas vivas, ela encontrou uma entidade feita de névoa e espinhos. Cada gota de orvalho em sua pele refletia não seu próprio rosto, mas o daquela que a havia traído. Cassy gritou até que sua voz se tornou o vento, e então viu: as máscaras da outra haviam se desintegrado, revelando um vazio tão vasto que ecoava como um tambor sem pele. A entidade de névoa riu baixinho: "Quem te arranha com espinhos carrega uma floresta inteira dentro do peito. Tu, Cassy, carregas o céu nas costas."
A última queda não teve testemunhas. Foi suave e profunda, como um mergulho no próprio âmago. Cassy caiu dentro de si mesma, num abismo onde moravam suas perguntas sem resposta. Lá no fundo, encontrou uma menina — era ela mesma, pequena e frágil, segurando um barquinho de papel. A menina olhou para a mulher ferida e soprou o barco em direção a um rio invisível. "Só quem cai no próprio poço descobre que ele é a fonte", disse, com voz de chuva fina. Juntas, navegaram por correntes de memórias e promessas, e Cassy entendeu que aquela queda era a mais necessária: a que a fazia lembrar de sua própria luz.
Quando emergiu do último véu de sombras, o mundo já não era pesado. Ou talvez ela é que tivesse aprendido a carregá-lo com graça. Suas asas, antes diáfanas, agora cintilavam com todas as cores que nascem da dor transformada — o roxo da resiliência, o verde da esperança renovada, o prateado da sabedoria que só as cicatrizes concedem. Cassy não mais temia os tropeços, pois sabia que cada tombado era um convite para dançar de novo. Até a noite, que descia sobre os campos como um véu de luto, já não lhe parecia triste. Era apenas a pausa necessária para que as estrelas sussurrassem: "O sol não tem pressa de nascer, porque confia na escuridão. E nós só aprendemos a confiar quando deixamos de temer a queda..."
E assim, Cassiopeia seguiu dançando. Às vezes, ainda caía — por amor demais, por sonhar alto demais, por simplesmete existir em um mundo de arestas e belezas. Mas cada vez que suas mãos tocavam o solo, ela sentia a terra cantar, como uma mãe que embala o filho, murmurando: "Levanta, Cassy, filha da lua e do caos. Levanta, porque cada queda é um verso novo no poema que escreves com teu voo."
E... no horizonte, onde o mar beija o infinito, todas as que um dia haviam caído sorriam, sabendo que a vida não é uma guerra, mas uma dança de equilíbrios — caímos para aprender a leveza, levantamos para ensinar ao chão que até ele pode ser abraçado. E nesse vai e vem, Cassy descobriu que seu nome, Cassiopeia, não era apenas uma constelação: era um convite para que todas as mulheres lembrassem que até as estrelas tropeçam, mas nunca deixam de brilhar...
TilaC

4 Comments
Luz...
ResponderEliminarJoão Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Mais uma obra de arte digital, criada com "inteligência artificial"...
ResponderEliminarO texto é semelhante a outros...
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
O texto é semelhante a outros... 😇
EliminarTalvez... 😏
SO TALVEZ ...
... porque quem o escreveu seja a mesma pessoa!!!
16 comentários UAUUUU , sinto-me lisonjeada 😅
"16 comentários"?
ResponderEliminarEu só vejo / leio três (quatro, quando este estiver publicado): dois meus, um seu.
Áh! Já sei! Os outros são como os seus textos, decorrem da sua fértil imaginação.
A não ser que estejam aprisionados, quando deviam estar livres, entre metáforas
que só as próprias entendem o significado, com o apoio de onomatopeias sempre
prontas a elevar a qualidade da prosa prosaica e a qualidade da poesia poética.
Cumprimentos.
Nota - Uma situação que devia acabar em "blogs.sapo.pt" são os blogues privados.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT