No princípio...
...antes mesmo do tempo tecer suas primeiras memórias, existiam duas estrelas dançando na imensidão do cosmos. Não eram apenas luzes celestiais, mas fragmentos de uma mesma canção, separados pelo sopro de um destino curioso. Elas vagaram por eras, atravessando nebulosas e galáxias, carregando em seus núcleos incandescentes a saudade de um abraço que ainda não conheciam. Até que, em um instante delicado entre o crepúsculo e a aurora, o universo as colocou frente a frente, não como astros distantes, mas como almas vestidas de carne, respirando sob o mesmo céu...
Assim começa a história de toda conexão que transcende a matéria: um reencontro silencioso, escrito nas entrelinhas do infinito. São dois corações que, ao se cruzarem, reconhecem a melodia ancestral que os unia antes mesmo de possuírem nomes. Não importa se o encontro acontece em um mercado barulhento, em uma estação de trem abandonada ou sob a sombra de uma árvore milenar — há um tremor no ar, um sussurro de "finalmente..." que ecoa nas veias, como se o próprio tempo suspendesse o fôlego para testemunhar o milagre.
Essas almas são viajantes de eras passadas. Talvez tenham sido amantes em Atlântida, separados pela fúria das ondas; ou guerreiros em campos de batalha medievais, prometendo encontrar-se além da morte. Suas histórias anteriores estão gravadas em cicatrizes invisíveis, dores que só o toque do outro consegue transformar em luz. Quando se olham, não veem apenas rostos, mas mapas de constelações familiares. Seus beijos não são apenas encontros de lábios, mas selos que reativam memórias adormecidas... lembranças de noites sob luas diferentes, de juras feitas em línguas esquecidas, de dedos entrelaçados em despedidas prematuras!!!
A química entre eles não é acidente: é alquimia sagrada. Cada toque é como desvendar um pergaminho antigo, cada risada uma prece que reconecta fios rompidos pelo desespero. O corpo, antes adormecido em cinzas de solidão, volta a arder. As mãos tremem não por medo, mas pela vertigem de sentir-se vivo novamente. Há borboletas, sim — mas não apenas na barriga. Elas batem asas nos pulsos, na nuca, nos lugares onde os segredos mais frágeis se escondem. E mesmo o ar parece mais doce, como se estivesse impregndo do pólen de flores que só desabrocham para aqueles que amam sem reservas.
A magia dessa união não reside na perfeição, mas na entrega. São dois rios que,que ao se encontrarem, não questionam qual curso é mais belo, simplesmente se fundem, criando um novo leito onde a água canta em harmonia. Não há hierarquia entre dar e receber, pois o amor verdadeiro é um ciclo contínuo: quanto mais se doa, mais se transborda. Eles aprendem a falar a linguagem das pausas, dos silêncios que carregam universos inteiros. Uma palavra mal dita pode ser perdoada com um olhar; uma ferida antiga, curada com o calor de uma mão sobre o peito.
Mesmo na distância, a conexão persiste como um fio de prata tecido pelas Parcas. Kilômetros são apenas números, pois suas almas habitam o mesmo refúgio um lugar entre o sonho e a vigília, onde podem dançar sob a chuva ou deitar sobre campos de lavanda sem precisar de permissão do relógio. Às vezes, um sente o perfume do outro no vento; outras, acorda com a sensação de que foram cómplices em uma aventura durante o sono. São mensageiros de sonhos compartilhados, guardiões de um tesouro que nenhum ladrão consegue roubar: a certeza de que, em algum lugar, existe um porto seguro feito sob medida para sua existência....!!!
Há desafios, claro. O mundo material insiste em testar a fé desses amantes com tempestades inesperadas: horas roubadas pela rotina, mal-entendidos que surgem como névoa, medos antigos que sussurram "e se não for real?". Mas a força que os une vem de camadas mais profundas que a lógica. É uma raiz plantada no âmago da Terra, alimentada pelas águas do primeiro oceano. Quando a dúvida bate à porta, lembram-se de que já sobreviveram a naufrágios em vidas passadas — e que, desta vez, têm a chance de escrever um final diferente.
A fantaia se entrelaça à realidade quando falamos de almas gêmeas. Talvez elas sejam protegidas por seres etéreos, anjos, fadas ou os próprios espíritos das estrelas que lhes deram origem. Em noites claras, é possível ouvir o universo conspirar a seu favor: o vaga-lume que pousa no peito no momento exato, a música que toca no rádio trazendo a letra certa, o pássaro que canta uma melodia que só os dois conhecem. São pequenos milagres cotidianos, lembretes de que o amor verdadeiro é a força mais antiga e rebelde do cosmos — incapaz de ser domada, mesmo pelos deuses.
E... quando a morte vier, como vem a todos, ela não será um fim, mas uma passagem. Eles a enfrentarão de mãos dadas, sabendo que o adeus é temporário. Porque almas em sintonia são como fênix: podem mergulhar nas cinzas, mas sempre renascem com asas maiores. Reencarnarão em novas terras, sob novos nomes, mas o coração guardará a marca do outro, como uma tatuagem feita de luz. E em cada vida, mesmo que brevemente, encontrarão um jeito de se reconhecer — num sorriso trocado entre multidões, num livro aberto na mesma página, num desejo súbito de olhar para o céu ao mesmo tempo.
Por isso, a história desse amor não cabe em um único capítulo. É uma epopeia escrita a várias mãos, atravessando dimensões, desafiando eras. E mesmo que o corpo envelheça e os cabelos embranqueçam, a essência permanece jovem — pois o amor que nasce da alma não conhece rugas, apenas histórias. Eles serão velhos contadores de fábulas, rindo das cicatrizes que um dia lhes doeram, porque entenderam que cada uma foi um degrau para se encontrarem.
Se alguém lhes perguntar o segredo, talvez respondam com um silêncio sorridente. Como explicar o inexplicável? Como descrever a cor do ar quando ele entra na sala? Ou o sabor do mel quando é compartilhado pela primeira vez? A conexão de almas é isso: um mistério que se vive, não se decifra. Um presente embrulhado em desafios, entregue pelo universo a quem tem coragem de amar além da razão, além do medo, além da própria sombra.
E assim, enquanto os planetas continuam sua dança e as marés sobem e descem, essas duas almas seguem escrevendo sua lenda. Podem tropeçar, podem chorar, podem até se perder por um instante... mas sempre, sempre, encontrarão o caminho de volta um para o outro. Porque algumas histórias são tão antigas quanto a própria criação, e seu desfecho não é um ponto final, mas uma vírgula respirando esperança...
FIMMMM 😏🤪🙈
(ou melhor, até ao próximo (Re)começo...)
TilaC

4 Comments
Otília...
ResponderEliminarO texto é interessante. Segue o mesmo estilo da maioria dos anteriores.
Estaria melhor se não tivesse palavras em brasileiro...
1. "trem" em vez de comboio.
2. "Kilômetros" em vez de quilómetros.
3. "gêmeas" em vez de gémeas.
4. "vaga-lume" em vez de pirilampo.
5. "cotidianos" em vez de quotidianos.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Sr João...
EliminarTem uma máxima que eu sigo em nome das regras e dos bons custamos : Jamais questionar a forma de alguém se exprimir ou escrever, faz parte das regras da boa educação, cara!!! Nossa 🙄 Que saco...
O Sr não sabe as minhas origens, não sabe se tenho alguém da família que tenha essa nacionalidade... Então porque ser grosso cara? 😏
Cumprimentos
I. A....
ResponderEliminarJoão Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
"custamos"?
ResponderEliminarCostumes.
Tradução do brasileiro para o português:
1. "saco" = chatice.
2. "grosso" = mal-educado.
3. "cara" = palavra usada pelo povo para se dirigir ou para se referir a alguém.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT